Imaginação: a potência das transformações

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Paintbrush Warrior, por Mark Henson
Paintbrush Warrior, por Mark Henson

 

Deixe-me propor uma experiência. Olhe à sua volta. O que você vê?
Cadeira, mesa, celular, uma caneca de chá, talvez um gato ou dois?
Agora embarque numa viagem comigo: de tudo que você vê, o que existia há uma década atrás? O que existia há séculos? Há milênios?
Tudo que existe hoje, em algum momento da história, foi um dia apenas uma idéia (com exceção dos gatos, que talvez, tenham sido uma ótima idéia de Deus, mas essa já é uma outra história…).

A questão é que tudo ao nosso redor esteve um dia apenas no plano das idéias (Alô Platão!) e que alguém entre nós materializou, tornando nossa vida mais fácil e nossas atividades mais eficientes. Você pode agradecer mentalmente à todos esses criadores abençoados (mas lembre-se de considerar que a internet foi desenvolvida durante e por causa de uma guerra, hein?) que em algum momento foram os pontífices entre o Céu e a Terra, e que, sensíveis às demandas terrenas, sonhavam, muitas vezes literalmente, com a solução dos nossos problemas. As criações e os projetos que favoreciam o meio, foram, um dia, restritos a pensadores e inventores malucos. Faz sentido: naquele momento o acesso à informação era limitado aos abonados, sortudos ou aos teimosos determinados.

Daí, caro leitor, vos pergunto: onde está a informação hoje? Em toda parte, não é mesmo? Ainda que saibamos que não é lá bem assim, podemos considerar que nossos livros não estão mais trancados em salas seletas. Quero dizer, com isso, que temos mais referências e recursos para que nossa imaginação seja a protagonista das mudanças que queremos no nosso mundo interno e externo, assim como o individual e social.

 

A imaginação transforma o homem, e o homem transforma tudo ao seu redor.

 

Porém, apesar de toda a informação e tecnologia que temos ao alcance de nossas mãos, lemos todos os dias sobre a insatisfação. Com nossas vidas, com nosso meio. As péssimas estatísticas sobre nossa qualidade de vida e saúde mental, incluindo altos índices de suicídio, estão circulando por aí, nos posts dos seus contatos das mídias sociais.  Existem diversas e complexas razões envolvidas para dados tão alarmantes, mas eu gostaria de propor uma reflexão que pode (ou não?) fazer parte desta miscelânea: como desenvolvemos o nosso sistema cognitivo. Em outras palavras, como nos desenvolvemos através da educação. Você se lembra como passou seus, em média, 10 anos de desenvolvimento, que o fizeram tornar-se o adulto que é hoje? Salvo todas as singularidades, acredito que tenham sido como os meus: Fique sentado. Preste atenção. Memorize. Brincadeiras e interações só no intervalo. Prove o que você memorizou. Recomece o ciclo (e esqueça boa parte do anterior logo depois da prova). Fique sentado. Preste atenção….

Nosso sistema de educação foi projetado na Era Industrial, e houveram pouquíssimas mudanças na sua estrutura básica desde então. Naquele momento a necessidade era de desenvolver trabalhadores de fábrica, para produção em massa. Neste sistema deve-se seguir o que está estabelecido, seguir ordens, não questionar. Não era a intenção, e nem naquele momento necessário, que se explorasse todos os nossos potenciais e habilidades. Hoje, percebendo isso, muitos educadores buscam iniciativas alternativas à educação, onde o aprendizado é mais profundo e autêntico, respeitando diferenças de ritmo na aprendizagem, seus interesses e habilidades, com o objetivo de integrar o aprendizado ao nosso dia a dia. Estes jovens estão se preparando para um futuro que não sabemos qual é. As gerações anteriores não foram preparadas para viver os dias de hoje. 

 

A imaginação solta as amarras dos contextos, cria portas aonde antes não haviam, constrói personalidades e dribla os obstáculos.

 

O mundo contemporâneo demanda e valoriza pessoas que criativas, que podem comunicar suas ideias e colaborar com seu meio. Existe uma necessidade de gerenciar seu próprio tempo, tomar suas próprias decisões sobre o que fazer e quando fazer. Desenvolver nossa capacidade criativa para utilizar melhor nossos recursos é vital neste momento, através da canalização e direcionamento da energia.

Além disso, o ato criativo não termina em si mesmo. Presenciar um ato criativo nos inspira a criar também. Uma música nos toca profundamente, um livro muda nossa vida, um filme nos faz reavaliar situações de nossas vidas, a maneira como um colega de trabalho lida com os pepinos do dia a dia, nos encoraja, nos inspira. Hoje, mais do que nossos ancestrais, temos consciência de que somos criadores da nossa realidade. Apodere-se de seus pincéis e paleta de cores: temos um mundo inteiro para reorganizar e re-significar.

 

3 Respostas

  1. Muuuito bom!
    Adorei o convite do início do texto! Essa mistura de leitura e observação.

    Nós vivemos em um período social cheio de complicações, onde artistas criam conceitos elitistas e afastam cada vez mais o povo, onde os ditos líderes revolucionários dirigem carros caros e vivem em casas luxuosas, com renda muito acima da média, distribuindo migalhas para o povo e os usando para suas guerras.

    A verdadeira revolução desse século virá dos visionários, que através de uma educação independente das instituições vai fazer com que cada semente de pessoa observe, imagine, e crie sua própria realidade com tudo o que já está ao seu redor.

  2. Adorei o texto Thaisa, realmente o convite do início é uma ótima forma de interpretar o tema.

    Acredito que o maniqueísmo contemporâneo tá aniquilando esse visão holística que você propõe. Temos a sorte grande de ver a mudança do milênio, são poucos na história (matematicamente falando) que presenciaram isso. E o que torna essa sorte ainda maior, vivemos a mudança de ERA, o Novo Aeon, e como dizia Raul, “Alguma coisa está acontecendo, Não dá no rádio e nem está nas bancas de jornais”. São poucos que veem e sentem a mudança.

    Talvez essa nova ERA seja fruto do Movimento do Potencial Humano (MPH) de 1960, que visava libertar as crenças limitantes e explorar todo potencial que a consciência e o subconsciente são capazes de criar e de reproduzir.

    • Que Legal Fabio!
      Eu não conhecia o MPH, mas acredito que seja exatamente disto que estou falando. É inconcebível como a sociedade do século XXI, que usa sua tecnologia para visitar outros planetas, ainda se degladie em polaridades (como esquerda x direita) quando há tantas possibilidades inexploradas de alternativas. Apesar disso, ainda bem, vários movimentos e iniciativas parecem ir nessa direção. Façamos com que elas sejam vistas e estejamos dispostos a somar com elas!
      Obrigada por seu enriquecedor comentário!

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